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AS MISÉRIAS DA HUMANIDADE EM VISCONTI

cinema de Visconti

AS MISÉRIAS DA HUMANIDADE EM VISCONTI

As misérias da humanidade em Visconti

Dizem que no Brasil, o ano começa depois do carnaval. E quando não há carnaval, será que o ano começa? A impressão é de que o ano passado nem terminou.

A vacina chegou, mas novas cepas também. Temos que continuar colaborando o máximo possível para que a pandemia se espalhe um pouco menos, já que não são todos os brasileiros que conseguem ter este espírito mais colaborativo e, por isso, não experimentamos ainda aquele alívio tão esperado e merecido por tantos.

No cinema, o período é de calmaria. As exibições das mostras e dos festivais devem retornar após a realização do Oscar. Os lançamentos em cinema ficam comprometidos, de certa maneira, por ocasião da pandemia (não tenho frequentado as salas de cinema).

Sendo assim, com um ar de uma certa melancolia, faço uma breve apresentação ou sugestão de três filmes do diretor italiano Luchino Visconti. Esses filmes foram lançados pela Versátil em dvd numa coleção restaurada cujo título é “O Cinema de Luchino Visconti”. É possível obtê-los no site da versátil home vídeo.

“Senso” ou como foi traduzido para nós, “Sedução da Carne”, é um filme de 1954 mas retrata o ano de 1866 durante a luta pela reunificação da Itália, quando Veneza estava sob a ocupação da Áustria. Eis que a condessa Lívia Serpieri perde seu espírito patriótico e revolucionário ao se apaixonar pelo tenente austríaco Franz Mehler.

Em “Violência e Paixão”, de 1974, o ator Burt Lancaster vive um professor que teve a infeliz decisão de aceitar alugar o apartamento de cima ao seu, para a família da marquesa Bianca Brumonti (Silvana Mangano). que inclui o amante, a filha e o namorado da filha.

Finalmente, de 1976 e o último filme de Visconti, “O Inocente” descortina a aristocracia romana do final do século XIX. Tulio, mantém um casamento fraternal com Giuliana mas é apaixonado pela amante, a Condessa Raffo. Seria fácil, se a existência humana assim permitisse.

Em comum, nos três filmes, há aquela exuberância cinematográfica, característica dos filmes italianos e, particularmente, dos filmes de Visconti. Neles, podemos sentir o aroma do perfume das belíssimas mulheres, perder o ar diante de tanta riqueza e rigidez de detalhes e se maravilhar com as apresentações operísticas.

Entretanto, é a atmosfera da decadência que se sobressai por meio de personagens que se perdem durante a caminhada, seja pela paixão cega que esmaga a luta revolucionária de Lívia, pela alienação da família Brumonti em contraponto à solidão do velho professor ou pelo amor vaidoso, doentio e possessivo de Tulio.

A barra é pesada e o espelho pode ser revelador, porém, são três das mais marcantes e portanto inesquecíveis obras-primas da história do cinema.

Texto: Renata Saraceni (Produtora e Cineasta).
Renata Saraceni
 

Imagem: Divulgação/Max Redefault

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